Greves e protestos em Inditex, Primark e H&M pelo novo convênio do sector têxtil

Os protestos estendem-se por toda Espanha em plena negociação do novo marco trabalhista do comércio têxtil

UGT se concentra frente a la tienda de Primark en Gran Vía, Madrid   EP
UGT se concentra frente a la tienda de Primark en Gran Vía, Madrid EP

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Os trabalhadores das grandes empresas de têxtil e de calçado de toda Espanha têm voltado a mostrar sua rejeição ao preacuerdo do convênio estatal assinado pela Associação de Retail Têxtil Espanha (ARTE) -integrada por Inditex, Cabo, Primark e H&M, entre outras assinaturas de moda- e os sindicatos CCOO e Fetico, enquanto UGT o qualifica de "autêntico atropello" aos direitos trabalhistas do sector e mobiliza aos trabalhadores a nível nacional.

Mais especificamente, UGT já assinalava faz umas semanas que não assinava este convênio a nível nacional porque "não responde às necessidades reais dos trabalhadores nem melhora suas condições de vida, consolidando um modelo baseado na precariedade trabalhista e salarial, além de uma clara involución em direitos".

Greves e protestos por toda Espanha

O sindicato tem voltado a convocar para esta segunda-feira concentrações e protestos por todo o território ante lojas das marcas de moda e shoppings nos que estão presentes para reiterar a rejeição ao convênio têxtil.

Trabajadores de Inditex en una manifestación frente a Stradivarius en 2025 / EP
Trabalhadores de Inditex numa manifestação em frente a Stradivarius / EP

Em Madri, os protestos levaram-se a cabo frente a loja de Primark, Cabo, Pull&Bear e H&M de Grande Via, onde têm mostrado cartazes baixo o lema 'Convênio ARTE NÃO, nem um direito menos' e têm reiterado que as grandes correntes do têxtil querem um convênio estatal que sirva para "recortar direitos, rebajar condições e esvaziar de conteúdo as melhoras conquistadas".

"Não nos fica outra que seguir nas ruas"

Para Sara Martínez, porta-voz de UGT em Cantabria, o convênio de ARTE "é um retrocesso de muitos anos" e, ademais, tem advertido que "não se pode dizer que manterá e respeitará as melhores condições salariais e trabalhistas do convênio de Cantabria" porque "não é assim".

"Não nos fica outra que seguir nas ruas, lutando pelo nosso e pelo que tanto nos custou conseguir", tem sentenciado a sindicalista, que já tem avançado que "terá mais greves e mobilizações" no comércio têxtil e do calçado, também "âmbito estatal".

O convênio apaga algumas categorias finques

A sindicalista tem assegurado que com o convênio de ARTE "se perde de tudo". Entre outras questões, desaparecem categorias profissionais como a de dependienta maior, salário e pluses como os de actividade, de escaparates ou o de idiomas. Ademais, o trabalho nos sábados pela tarde, nos domingos e os feriados "passa a ser obrigatório e compensado com um preço irrisorio".

Também têm saído à rua os trabalhadores do sector em Castilla-A Mancha, que qualificam de "vergonzoso" este preacuerdo, que contempla "um claro atropello aos direitos trabalhistas" das 200.000 trabalhadores que há em Espanha, das quais 5.500 são de Castila-A Mancha", segundo informa UGT.

"Um modelo baseado na precariedade trabalhista"

O secretário de Comércio e Grandes Armazéns da Federação de Serviços, Mobilidade e Consumo (FeSMC) de UGT Castilla-A Mancha, José Manuel Barquero, sustenta que este primeiro convênio estatal não melhora as condições trabalhistas das plantilla, mais bem "consolida um modelo baseado na precariedade trabalhista e salarial e inclusive supõe uma clara involución em direitos", já que o novo texto fixa salários "claramente insuficientes", afastados da realidade económica atual e do incremento dos custos da vida.

Una joven sujeta una caja de una tienda de ropa durante la campaña de rebajas de Navidad / EUROPA PRESS - DAVID ZORRAKINO
Uma jovem sujeita uma caixa de uma loja de roupa durante a campanha de rebajas de Natal / EUROPA PRESS - DAVID ZORRAKINO

Ademais, introduz mecanismos que permitem às empresas aumentar a disponibilidade das pessoas trabalhadoras sem uma compensação justa, abrindo a porta a uma maior desregularización do tempo de trabalho, com medidas que afectam à conciliação e que incrementam a incerteza na organização da jornada, o qual penaliza a coletivos já de por si vulneráveis no sector, como são as mulheres e as pessoas com contrato a tempo parcial.

ARTE sublinha que o preacuerdo promove uma melhora real

Por sua vez, ARTE enfatizou faz umas semanas que o preacuerdo atingido estava ainda em negociação, mas que o lembrado promove a "equidade e melhora real" das condições trabalhistas dos trabalhadores do sector e não recorta direitos. De modo que voltava a apelar "ao diálogo" depois das greves que se estão a produzir por todo o território convocadas por UGT.

"O convênio ainda está em negociação e requer de diálogo responsável, já que neste momento o texto do futuro convênio ainda está em construção. O preacuerdo promove a equidade e melhora real de condições trabalhistas", tem assegurado a presidenta de ARTE, Ana López-Caseiro.

A proposta inicial

Há que recordar que a patronal têxtil rubricó o passado 26 de março um preacuerdo só com CCOO e Fetico, e que contou com a negativa de UGT e CIG. Um preacuerdo que chegava depois de mais de três anos de negociação e que implica melhoras em matéria de contratação, salários e jornada trabalhista para mais de 100.000 trabalhadores em Espanha.

"Temos sellado um preacuerdo que, longe de prejudicar ou recortar direitos, elimina a desigualdade nas categorias profissionais e condições salariais, e incorpora outras melhoras como a redução de 50 horas da jornada trabalhista, o estabelecimento dos fins de semana de qualidade em todos os territórios, e a voluntariedad e pluses em domingos e feriados. Estas melhoras beneficiarão a mais de 100.000 pessoas em nosso país e que, ademais, vão acompanhadas de garantias para que nenhuma pessoa sofra perda alguma em suas condições salariais", tem recordado.