Assim são os comboios chineses que Renfe tem no ponto de olha
A crescente demanda de passageiros de alta velocidade leva a Espanha a olhar com atenção para Ásia e Alemanha
Renfe procura comboios com urgência. O incremento da demanda de viajantes tem posto ao limite a capacidade de sua frota atual, obrigando à companhia a acelerar a posta em serviço das unidades de grande capacidade para evitar pescoços de garrafa nos corredores mais saturados. Neste contexto, no final de novembro, o ministro de Transportes e Mobilidade Sustentável, Óscar Ponte, sugeriu a possibilidade de comprar comboios fabricados em Chinesa para operar nos serviços de alta velocidade de Espanha.
Agora, Ponte tem mostrado sua satisfação depois de sua visita à fábrica da marca japonesa Hitachi em Itália, na que se constroem os comboios de alta velocidade que utiliza Iryo em Espanha e que Renfe poderia incorporar a sua frota.
Um comboio "de altísima qualidade"
"A impressão tem sido muito positiva e favorável. Trata-se de um comboio muito experimentado e com muitas unidades já no mercado, é de altísima qualidade e com um processo muito cuidado", tem manifestado o ministro depois de sua visita às instalações.

Ponte tem recordado que a rede ferroviária em Espanha se encontra num processo de transformação, com o objectivo de elevar a velocidade máxima de 300 a 350 quilómetros por hora, ao mesmo tempo que se constroem novas linhas. Todo isso requererá novos comboios, o que explica as viagens de Ponte à fábrica de Siemens em Alemanha, CRRC em Chinesa ou, agora, Hitachi em Itália.
Convocar um concurso para compra-a de comboios
O ministro já não tem mais viagens planificadas para visitar outras fábricas, pelo que agora começará o processo para convocar um concurso público de compra de comboios.
A planta de Hitachi encontra-se em Pistoia, próxima a Florencia. Tem 290.000 metros quadrados e fabrica, entre outros, o modelo ETR 1000, que é o que Iryo utiliza em suas operações em Espanha.

Opções chinesas
Na semana passada, Ponte concluiu sua viagem institucional à República Popular Chinesa com uma visita à fábrica da companhia Changchun Railway Vehicles Co, filial de CRRC, a sociedade chinesa que produz material rodante ferroviário no país e o maior fabricante mundial.
A empresa, líder em inovação tecnológica, desenvolve comboios de muito alta velocidade aptos para atingir os 350 km/h, comboios metropolitanos de transporte urbano com soluções ecológicas, locomotoras diésel e elétricas e sistemas de fabricação inteligente, integrando robótica, digitalização e análise de dados.
Estratégia de internacionalización
"CRRC tem começado uma estratégia de internacionalización para projectos de renovação ou expansão de sistemas ferroviários. Neste sentido, o Governo está a explorar possíveis alternativas para a renovação e ampliação da frota com fabricantes que disponham de material nos tempos mais breves possíveis para poder atender a demanda de viajantes de alta velocidade que se multiplicou nos últimos anos —até quase por oito na linha de Madri a Barcelona— e ao mesmo tempo abordar o objectivo de aumentar a velocidade até 350 km/h", expôs o Ministério num comunicado.
A 346 por hora o café não se move e a moeda de canto não se cai. O comboio tem um interior muito variado e fora o frio é intenso. São comboios preparados para sofrer temperaturas de -40° C. Cobrimos em 3 horas e meia os mais de 900 km, com uma sozinha parada intermediária. https://t.co/n40h2yomoo pic.twitter.com/ssmjtfhfek
— Óscar Ponte (@oscar_ponte_) December 13, 2025
Ademais, recordou que Chinesa é, junto com Espanha, o principal país do mundo em rede de alta velocidade, com 48.000 km de via.
