A CNMC exige regras mais claras sobre os alimentos de proximidade em residências e hospitais

O organismo reclama que os critérios se baseiem em características objectivas dos produtos e não no lugar onde se produzem

pexels photomix company 868110
pexels photomix company 868110

Ouve o artigo agora…

0:00
0:00

A Comissão Nacional dos Mercados e a Concorrência (CNMC) tem pedido ao Governo que revise alguns aspectos do futuro decreto que regulará a alimentação em hospitais, residências e outros centros sanitários e sociosanitarios. O organismo considera que vários critérios devem se definir com mais clareza para evitar problemas de concorrência e dar maior segurança jurídica às empresas.

Entre outras questões, a CNMC fixou-se no tratamento dos chamados produtos de proximidade ou dos canais curtos de distribuição. Segundo assinala, estes requisitos devem apoiar-se em critérios objectivos relacionados com o produto e com seu impacto ambiental, e não em características do produtor.

Produtos de proximidade, mas com critérios objectivos

O relatório da CNMC analisa o Projecto de Real Decreto impulsionado pelo Ministério de Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030. A norma procura fixar critérios comuns de nutrição e sustentabilidade para os serviços de alimentação de hospitais, residências e outros centros, tanto públicos como privados.

Un carrito en un supermercado / PEXELS
Um carrito num supermercado / PEXELS

A Comissão compartilha os objectivos gerais do texto, mas considera que alguns aspectos podem se melhorar. Um deles é a definição dos produtos de proximidade. Em sua opinião, os requisitos não devem favorecer a uns provedores em frente a outros por razões alheias às características do produto.

Mais clareza nos contratos

A CNMC também pede especificar melhor a que tipos de contratos afectará la nova regulação. O organismo considera que esta precisão ajudaria a evitar dúvidas e facilitaria o aplicativo da norma.

Ademais, recomenda estudar se o alcance do decreto deveria ampliar a outras entidades do sector público. Segundo explica, também convém analisar que fórmulas de contratação são as mais adequadas para evitar efeitos negativos sobre a concorrência.

Revisar percentagens e contratos já assinados

Outra das recomendações passa por justificar melhor as percentagens mínimas exigidos para determinados produtos incluídos na futura norma. O organismo também propõe revisar a obrigação de adaptar os contratos que já estão em vigor. Se finalmente mantém-se esta exigência, pede que o decreto aclare como deverão se realizar essas mudanças de acordo com a Lei de Contratos do Sector Público.

Pese a estas observações, a CNMC valoriza de forma positiva o objectivo geral da norma. Destaca especialmente a intenção de melhorar a qualidade da alimentação em hospitais e residências, prevenir a malnutrición e fomentar hábitos mais saudáveis e sustentáveis, sobretudo entre as pessoas mais vulneráveis.