Gisela Polido, campeã mundial de kitesurf: "A motivação para ser a número um é o mais difícil"

Consumidor Global entrevista à desportista, quem revela como é a exigência desportiva para manter na elite e como está a focar seu caminho para os Jogos Olímpicos de 2028

Gisela Pulido, diez veces campeona mundial de kitesurf, junto a su perro Fly mientras entrena   CEDI
Gisela Pulido, diez veces campeona mundial de kitesurf, junto a su perro Fly mientras entrena CEDI

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Ao outro lado do ecrã aparece Gisela Polido (1994). Está em Tarifa, seu lar desde que deixou Barcelona. Ainda que a capital catalã viu-a nascer com mal dez anos esta desportista de elite se instalou na localidade gaditana, considerada a meca dos desportos acuáticos em Espanha. Foi precisamente a essa idade quando se proclamou campeã do mundo de kitesurf, um lucro que a converteu na campeã mundial mais jovem da história e lhe valeu um recorde Guinness que ainda conserva. Hoje suma mais de duas décadas de competição e dez títulos mundiais em seu palmarés.

Durante sua entrevista com Consumidor Global, Polido repassa uma trajectória marcada pela disciplina, as viagens e uma conexão quase instintiva com o mar. Fala da dificuldade de manter na cume, de como tem mudado sua forma de enfrentar o desporto com o passo do tempo e de Fly, o border collie que se converteu em seu colega mais fiel.

--Converteste-te em campeã do mundo de kitesurf com sozinho dez anos. Como recordas teu niñez e daí achas que te contribuiu para enfrentar tua carreira profissional adulta?

--Tenho tido uma niñez bem perto do desporto, a natureza, os animais e com meu pai. Dantes do kitesurf, praticava surf, skate, ia escalar e competia em natación. Desde muito pequena tenho sido muito competitiva e gostei muito da disciplina, treinar. Não foi até os oito anos que comecei com o kitesurf e em seguida lhe disse a meu pai que queria competir. Vivíamos em Barcelona e a primeira competição na que participei era no sul do França, o campeonato de Europa Junior. A partir daí começamos com as competições e fomos viver-nos a Tarifa.

Gisela Pulido, diez veces campeona mundial de kitesurf, junto a su perro Fly / CEDIDA
Gisela Polido, dez vezes campeã mundial de kitesurf, junto a seu cão Fly / CEDIDA

--Após tantos anos competindo ao máximo nível e depois de ganhar dez títulos mundiais, que te segue motivando para seguir treinando e te marcar novos objectivos?

--Sou uma pessoa com muita motivação dentro de mim. É bem mais fácil ganhar um mundial que ganhar os seguintes porque manter essa motivação para estar no número um é o que realmente custa. Sempre gostei muito dos reptos provar coisas novas e quando me senti estancada a nível de motivação, sempre tenho procurado coisas novas que me motivem.

--Como é a rotina diária de uma desportista de elite?

--Muito diferente porque é difícil ter uma rotina quando estás sempre viajando e competindo. Tenho diferentes rotinas mas o que costumo fazer é desayunar, se estou em Tarifa, sacar a passear a meu cão Fly, ir ao gimnasio, comer bem, descansar um pouco e depois ir ao água. É verdade que quando estou num treinamento oficial com a federação é mais estrito. Temos muitas reuniões com os treinadores, damos-lhe mais cana à parte física, passamos muitas horas no água, muitas horas trabalhando com o material.

--Que significa Fly para ti?

--Para mim o é tudo. É meu primeiro cão e adoptei-o com dois anos. Eu procurava um cachorro mas me ofereceram a opção deste border collie, que vivia em Córdoba. Quando o vi me apaixonei dele, com seus olhos azuis e a cara de bom que tem. É um apoio muito grande também nos treinamentos e nas competições, vem sempre comigo ao gimnasio e é minha sombra.

--É capaz de seguir o ritmo?

--Sim, é súper ativo. Tem uma energia e uma vitalidad incríveis. Vem comigo a todos lados. Encanta-me quando navego, volto à orla e me está a esperar. É a melhor sensação. Eu como duas vezes ao dia igual que ele, e quando me preparo a comida lha preparo a ele também.

--A alimentação de uma desportista de elite é fundamental, também o é a de seu cão?

--Sim, é súper importante. Eu tenho mudado um pouco minha forma de alimentar durante estes anos. Fui vegana desde os 18 até os 29. Com a campanha olímpica tinha que apanhar peso, de modo que tive que incorporar algo mais de calorías comendo pescado e algo mais de proteína comendo ovos e isso. Sempre tenho sido uma pessoa que tem comido muito limpo, o mínimo processado pelo homem, o mais orgânico e quero o mesmo para Fly.

--De facto, sois novos embaixadores de Nulo.

--Com Nulo estou súper contente. Nunca tinha tido uma colaboração que fosse pára Fly, de modo que me fez muitíssima ilusão. Uma das coisas que mais gosto de da marca é a quantidade de proteínas que tem sua alimentação. Fly faz muitos quilómetros ao dia, de modo que o melhor depois é um bom contribua de proteínas para recuperar.

--O kitesurf debutó nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Como o viveste?

--Foi súper bonito porque para qualquer desportista ir aos Jogos Olímpicos é o top. Estive a me preparar durante cinco anos. Primeiro tens que classificar ao país, só há 20 países que conseguem essa praça. E uma vez que consegues a praça, o país selecciona à pessoa que vai ir. Só com ter classificado e o ter a opção de ir aos jogos é uma passada. Foi uma experiência súper bonita porque estávamos todos os desportistas de vela juntos em Marselha e também tive a opção de ir à cerimónia de clausura em Paris.

--Suponho que já tens a mente nas Olimpiadas de 2028, não?

--Estes jogos estou a focá-los de uma forma diferente à campanha olímpica de Paris. Uma dos condicionantes mais fortes nesta disciplina é que se precisa ter peso para ir rápido. Quanto mais peso, mais rápido vais em cima da tabela. Então, a campanha anterior quase era mais importante comer e o gimnasio que não passar horas no água, melhoraríamos se pesava dez quilos mais que se treinava um ano a topo. Demos-nos conta que com meu físico era bastante complicado ter opções a medalha e um bom resultado. Esta campanha olímpica estou a tomá-la mais chill no sentido de que não estou tão centrada em ganhar peso. Meu objectivo segue sendo o mesmo: classificar e ir a Los Angeles, mas de uma forma mais relaxada e compartilhando com outras disciplinas. Em 2027, que é o ano de classificar, dar-lhe-ei mais de cana à Fórmula Kite, que é a disciplina olímpica. Estou muito motivada com muitas vontades. Tenho 32 anos e comecei com 10, de modo que levo muito tempo competindo mas, por sorte, sigo tendo a mesma energia e as mesmas vontades que sempre.