Vodafone engana uma idosa e depois bombardeia-a com telefonemas
A operadora conseguiu que uma cliente solicitasse a portabilidade, apesar de esta estar satisfeita com a sua antiga operadora, e, algum tempo depois, tentou retê-la quando ela mudou para a Yoigo
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A boa parte dos comerciais que os gigantes das telecomunicações subcontratam para caçar clientes cafrecem de escrúpulos e têm urgências a mais. Presos na roda de salários fixos precários, a pressão por fechar contratos empurra ao jogo sujo e às tácticas agressivas. Ademais, as grandes operadoras são peritas em olhar para outro lado e lavar as mãos quando há problemas legais.
Uma delas é a Vodafone. Esta companhia, que em 2024 foi a que mais reclamações registou junto do Escritório de Apoio ao Utilizador de Telecomunicações e Serviços Digitais (OAUT), mereceu a atenção deste meio em vários artigos.
Contrato duvidoso com a Vodafone
"Minha mãe tem 72 anos, não ouve bem e fica nervosa com qualquer coisa. Há aproximadamente um ano chamaram-na 'da sua empresa de telecomunicações' (não deram mais dados ou não se inteirou) e disseram-lhe que lhe subiam a tarifa. Pôs-se nervosa, não sabe bem o que aconteceu, mas o caso é que acabou a fazer um contrato com a Vodafone com uma tarifa elevada e sem promoções de nenhum tipo", relata a este meio S. Aranda.

Ela estava contente com a sua companhia anterior, O2, mas da noite para o dia viu-se envolvida numa portabilidade para a Vodafone por causas, no mínimo questionáveis.
Fim da permanência e cancelamento do contrato
Passados cerca de 12 meses, continua Aranda, na semana passada voltaram a ligar à sua mãe. Em teoria, era novamente a Vodafone, empresa que alegou que o período de fi"delização da cliente estava a chegar ao fim e que iam rescindir o contrato devido a uma suposta queixa que nós nunca apresentámos".
Esta justificação já é enganosa: embora Aranda não o tenha feito, apresentar uma reclamação é um direito do consumidor reconhecido pela Lei Geral de Defesa dos Consumidores e pela Lei Geral das Telecomunicações. Se uma empresa cortasse o serviço ou rescindisse o contrato como retaliação a uma reclamação, estaria a cometer uma infração.
Ofertas da O2 e Yoigo
A Vodafone (ou quem se fazia passar por Vodafone) deu-lhe a opção de mudar para outra operadora. "Assim, ligaram-lhe (também supostamente) da O2. Esta segunda empresa duplicava a tarifa e pedia-lhe um suplemento de 170 euros. A minha mãe recusou, e foi então que apareceu outra suposta operadora da Yoigo, que gravou uma chamada para que ela assinasse contrato com eles por 53 euros", relata Aranda.

Tudo indica que se tratava do esquema da "Dupla Chamada", uma tática fraudulenta sobre a qual a Vodafone já alertou em algumas ocasiões. "Se receber uma primeira chamada a informar sobre alterações nas condições por diversos motivos e uma segunda chamada da concorrência a oferecer condições mais vantajosas, DESLIGUE. Trata-se do esquema da "Dupla Chamada", em que se fazem passar tanto pela sua operadora como pela concorrência para que forneça dados pessoais e bancários", explicaram nas suas redes sociais.
Uma oferta que não é vinculativa
Aranda não confiava e, há alguns dias, ligou diretamente para a Yoigo. "Consegui uma oferta de 41 euros, assinámos os documentos e instalaram a fibra na casa da minha mãe no passado sábado, dia 30", conta. A Vodafone apresentou uma contraproposta de 59 euros, que foi rejeitada.
Apesar do carrossel de telefonemas, a odisseia não termina aí: "Depois chamaram-me a mim da Yoigo para me dizer que tinham gravado a minha mãe aceitando a primeira oferta de 53 euros, apesar de que a que assinou foi de 41 euros para sempre, e na app de Yoigo aparece essa tarifa", critica Aranda.
"Mais de 20 telefonemas em apenas 15 minutos"
Além disso, a Vodafone não parou de bombardear a sua antiga cliente. "Atendi uma das chamadas e expliquei-lhes, da melhor forma que pude, que estávamos a fazer a portabilidade para a Yoigo por nossa conta. Pedi-lhes que registassem uma reclamação pelas mais de 20 chamadas recebidas em apenas 15 minutos, e limitaram-se a pedir-me desculpa", conta ela.
A Consumidor Global contactou com a Vodafone para pedir o seu ponto de vista a respeito, mas, até ao termo desta reportagem, não obteve resposta.
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