"São uns sinvergüenzas que procuram enganar": cuidado se recebes um telefonema de Powges

Em teoria, esta entidade ajuda a eleger a melhor tarifa de luz e gás, mas alguns clientes denunciam contratações enganosas e mensagens tramposos

Una mujer recibe una llamada de Powges
Una mujer recibe una llamada de Powges

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Responder ao telefone já não é seguro. Nos últimos anos, milhares de consumidores têm recebido telefonemas telefónicos de supostas "assessorias energéticas" que prometem reduzir sua factura de luz ou gás. Longe de ajudar a contratar uma comercializadora mais asequible, utilizam tácticas de pressão e engano para mudar o contrato sem consentimento explícito, ocultando tarifas de manutenção ou acrescentando permanências abusivas. Ademais, se ceban com os consumidores mais vulneráveis.

Powges parece ser uma destas turbias entidades. Em sua página site, a companhia apresenta-se como uma empresa com uma "equipa altamente motivada com ideias inovadoras". "Eleger a melhor tarifa de luz e gás é fácil se dispões da ajuda de um experiente. Contamos com assessores especializados que resolverão tuas dúvidas", proclamam. Em teoria oferecem um comparador de tarifas, permitem cadastrar contratos de luz e gás e calcular a potência necessária no lar.

"Segundo dizem, trabalham para Endesa"

Não obstante, uma série de críticas publicadas em redes convidam a suspeitar. "A nós nos chamaram de uma empresa que se faz chamar Powges. Segundo dizem trabalham para Endesa. Neste caso a telefonista é sul-americana. Não encontro à empresa por nenhuma parte e menos ainda entre as subcontratas de Endesa", publicou faz umas semanas uma internauta em X.

Una persona habla por teléfono / PEXELS
Uma pessoa fala por telefone / PEXELS

Na mesma linha, um utente de Instagram alertou do perigo faz um mês. "Chamam-te dizendo ser tua fornecedora contando-te que te estão a cobrar demais, que te vão baixar a tarifa elétrica. De alguma forma fizeram-se com alguns dados teus para te convencer que o telefonema é verdade. Mandam-te uma mensagem de Powges e dizem-te para que finques em firma.te explicam que é para que não recebas chamadas de publicidade", relatava.

"Permites-lhes divulgar teus dados"

No entanto, uma vez que o cliente se deteve a ler a mensagem se percató de que era exactamente o contrário: "Permites-lhes divulgar teus dados e receber toda a classe de telefonemas publicitários. E de rebajarte a tarifa elétrica, nem falar, são uns sinvergüenzas que procuram enganar. Bloqueeiem-os", aconselhava.

Ao respeito, em sua página site, Powges promete "até um 100% de desconto em energia em tua primeira factura". O truque é que para o obter há que rechear um formulário no que se autoriza o tratamento dos dados pessoais para a recepção de comunicações comerciais.

Servicios de Powges / CG
Serviços de Powges / CG

Comentários na OCU

As denúncias têm chegado até a OCU, onde um utente interpôs recentemente uma reclamação formal contra Powges "por más práticas comerciais, suplantación de identidade, coacção e alta enganosa com Podo Energia".

"Vosso operador identificou-se falsamente como pessoal de minha atual companhia fornecedora (Energia Xll), contribuindo o nome de Mario Vaqueiro García. Dispunha de todos meus dados pessoais, incluído meu número de conta bancária (IAM), o que me induziu a confiar na veracidad do telefonema. Vosso comercial indicou que era para me mudar de revendedora já que território a tinha alterado para PODO Energia e que era um trâmite obrigatório por parte de Energia Xll", relatava este afectado.

Mudança de companhia baixo a manga

Outro utente desvelou que se tinha posto em contacto com ele um teleoperador que se fez passar por "o encarregado de levar a cabo a contratação de uma comercializadora para meu contrato de luz, argumentando que eu não possuía contrato com nenhuma". A seguir recebeu um contrato cuja assinatura suporia deixar de receber telefonemas, "mas que no entanto, lhes outorga poder para fazer a mudança de companhia".

Una persona hace cálculos / PEXELS
Uma pessoa faz cálculos / PEXELS

Com estas irregularidades sobre a mesa, resulta inevitável perguntar-se quem há por trás de Powges. O dono é Riveloz Business, entidade que, tal e como consta no Boletim Oficial do Registro Mercantil, começou suas operações em maio de 2025.

Da fotografia e as actividades artísticas aos telefonemas comerciais

Seu objeto social resulta enormemente surpreendente: "Organização de convenções e feiras de mostras. Relações públicas e comunicação. Actividades de fotografia. Actividades recreativas e de entretenimento n.c.ou.p.. Gestão de instalações para actividades artísticas e artes escénicas. Restaurantes. Actividades das agências de publicidade".

Tem sua sede em Banyeres do Penedès. O sócio único é Javier Rivero Lozano, um executivo que também aparece unido a Verelo Europe SL, uma entidade que parece se dedicar à reventa de iPhones usados.

O ponto de vista de Roams

Consumidor Global tem contactado com Powges para tratar de esclarecer estes factos, mas a companhia não tem respondido às perguntas propostas. Quem sim tem oferecido seu ponto de vista é Eduardo Delgado, CEO de Roams. À pergunta de como é possível que os consumidores seguam recebendo este tipo de telefonemas, Delgado arguye que o problema nono está só no telefonema, sina em todo o circuito prévio de captación, cessão e uso de dados.

Una persona habla por teléfono / PEXELS
Uma pessoa fala por telefone / PEXELS

"Ainda que o regulamento tem endurecido muito os telefonemas comerciais, seguem existindo janelas pelas que entram estas práticas: formulários onde o utente aceita receber comunicações sem ser plenamente consciente, banco# de dados cedidos entre terceiros, intermediários comerciais pouco transparentes e, nos casos mais graves, uso indevido de informação pessoal", lista.

"O utente baixa a guarda"

"Quando uma empresa chama dizendo que trabalha para uma comercializadora ou que a mudança é obrigatória, já não estamos ante uma simples acção comercial agressiva, sina ante uma prática que pode induzir claramente a erro ao consumidor. E se ademais conhece dados sensíveis como o CUPS, o RG ou o IAM, o utente baixa a guarda porque entende que essa pessoa tem algum vínculo real com sua companhia. Essa é precisamente a parte mais perigosa", adverte o experiente.

Baixo seu ponto de vista, no mercado energético, uma mudança de comercializadora nunca deveria se produzir porque um consumidor se tenha sentido pressionado, confundido ou tenha interpretado que estava a realizar um trâmite diferente.

O consumidor não sempre decide com pleno conhecimento

"Se durante um telefonema transmite-se que a mudança é obrigatória, se oculta informação relevante ou se apresenta uma autorização como se fosse uma simples gestão administrativa, o consumidor perde a capacidade de decidir com pleno conhecimento. E precisamente aí é onde surgem boa parte dos conflitos que seguem chegando aos organismos de consumo" reconhece Delgado.

Una persona mira su móvil / PEXELS
Uma pessoa olha seu móvel / PEXELS

Quanto à atitude do consumidor, o CEO de Roams reconhece que bloquear todos os telefonemas não é a solução. "O recomendável é aplicar uma regra muito singela: não contratar nunca luz ou gás num telefonema que não temos solicitado. Se realmente queremos revisar a tarifa, o melhor é pendurar e contactar directamente com a comercializadora por seus canais oficiais ou ir a um comparador de confiança".

Não confirmar dados pessoais

Ao igual que recordam insistentemente as grandes energéticas ou telefónicas, Delgado assinala que ante um telefonema suspeito, o consumidor não deve confirmar dados pessoais, não deve facilitar códigos recebidos por SMS, não deve assinar enlaces durante a conversa nem também não aceitar gravações se não entende exactamente que está a autorizar.

Também resulta útil, indica, pedir por escrito a cancelamento se já se assinou algo, exercer a desistência se procede ou solicitar a exclusão de seus dados e reclamar ante a comercializadora, Consumo, a CNMC ou a AEPD. "Também convém inscrever na Lista Robinson, bloquear os números reincidentes e guardar provas: capturas, números de telefone, enlaces recebidos, contratos, gravações ou correios. Mas a chave é não se deixar levar pela urgência", realça.