Stephanie Marin, fundadora de Work Your Face: "Um creme de 700 euros não te serve se não te cuidas"

A fundadora de Work Your Face explica numa entrevista a Consumidor Global como nasceu seu método de gimnasia facial e repassa os erros mais comuns no cuidado da pele

Stephanie Marin, fundadora de Work Your Face
Stephanie Marin, fundadora de Work Your Face

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A gimnasia facial tem passado em poucos anos de ser uma técnica quase desconhecida em Espanha a abrir-se passo entre quem procuram melhorar o aspecto da pele sem recorrer a tratamentos invasivos. Stephanie Marin, fundadora de Work Your Face, tem sido pioneira em introduzir este conceito com a abertura de seu primeiro estudo em Barcelona em 2022. Agora, também em Madri.

Numa entrevista concedida a Consumidor Global, a empreendedora defende que treinar a musculatura do rosto pode melhorar a firmeza, reduzir a hinchazón e esmaecer as arrugas. Também explica por que considera que esta prática complementa à medicina estética, desmonta alguns mitos sobre o cuidado da pele e reivindica o protetor solar como o melhor aliado contra o envejecimiento.

--Que te levou a fundar Work Your Face?

--Trabalhei como diretora de marketing para uma empresa de cosmética de luxo durante muitos anos. Viajava muitíssimo, vi muitas técnicas e alternativas a tratamentos estéticos mais invasivos. Pessoalmente, dão-me um pouco de pânico as agulhas na cara de modo que nunca me fiz nenhum tratamento estético invasivo. Num tratamento facial, aplicam mascarillas e cremes mas não fazem nada na musculatura. Se fazes sentadillas, o glúteo volta-se mais liso, pois se trabalhamos os músculos da cara, por que não se vai a alisar a pele pela mesma lógica? Comecei a pesquisar e rodeei-me de profissionais até desenvolver nosso método.

--Como tem evoluído a gimnasia facial desde que abriu até hoje?

--Tem evoluído muitíssimo o serviço mas o método não porque temos demorado muitíssimo no desenvolver, nos funciona e é o que queríamos: uma cara melhorada, menos inchada, arrugas esmaecidas, menos lacidez e o tom mais unificado numa sessão. Têm evoluído muito as fórmulas de nossos produtos cosméticos, o packaging e também temos mudado alguns dos laboratórios com os que trabalhamos. Em quatro anos se sempre fazes o mesmo, a gente se acaba cansando, tens que ir inovando em serviço, em oferecer coisas que faz dois anos não existiam e que agora estão de moda mas, sobretudo, que funcionem. Não serve de nada somar à onda da moda quando algo é muito bonito mas não serve.

--Quando um cliente vai pela primeira vez a vossos centros, já sabe de que vai a gimnasia facial?

--Há dois tipos de clientes. O curioso que não sabe muito bem o que é e o cliente presenteio. Temos a nossa freguesia súper fiel e muitíssima gente presenteia-o. É esse cliente que diz: 'eu não sei ao que venho aqui, mas mo têm presenteado'. Descobrem-no e também se lhes explica ao final que temos sido pioneiros neste tipo de serviços em Espanha. Levamos quatro anos informando e explicando à gente que fazemos e há que seguir o fazendo. A gente corta-se o cabelo desde que temos uso de razão mas não trabalha os músculos da cara desde sempre, então há que educar. Isto nunca deixá-lo-emos de fazer.

--Quanto tempo se demora em notar os resultados e daí pode esperar uma pessoa que pratica gimnasia facial de forma constante?

--Os resultados imediatos após uma sessão é a pele mais lisa, as arrugas mais esmaecidas e menos hinchazón. Sais com melhor cara numa sessão. Com constancia trabalhamos o músculo mais em profundidade. O músculo tem memória e quanto mais trabalha-lo, melhor funciona.

--A gimnasia facial compete com a medicina estética ou são disciplinas complementares?

--São complementares. Quando te pões bótox, o que fazes é bloquear o músculo. Se pões-te uma escayola no braço, após dois meses o braço está bem mais finito porque o músculo não trabalha e perdes massa muscular. Quando te pões bótox ocorre o mesmo. Se consegues activar a musculatura com exercícios, esse músculo menos vai debilitar-se à medida que desapareça o efeito do bótox.

--Que erros mais frequentes cometemos com a pele durante o verão?

--O primeiro de tudo é pensar que ainda que estejas em cidade e vás de casa ao metro e do metro ao trabalho não é necessário se pôr creme solar. Há que a aplicar sempre. Eu ma ponho até quando chove porque lhe tenho pânico às manchas. O melhor antiaging é o protetor solar e em verão a gente só lho põe quando vai à praia.

--O autocuidado é um sector que move milhões de euros e que está em pleno auge, achas que os consumidores são mais exigentes à hora de eleger os tratamentos faciais aos que se submetem?

--Eu acho que sim, mais com a influência de todo o movimento coreano e japonês, quem são muito pioneiros em fórmulas mais naturais e suas legislações são bem mais estritas. O consumidor em general é mais exigente, sobretudo pelo que paga e o que obtém. Então, para mim é uma vantagem enorme saber que meu cliente vai entrar e vai sair com outra cara. Quando sabes o que pagas e o valor que tem, eu acho que isso não tem preço.

--Quanto custa treinar o rosto?

--35 minutos, 44 euros; 45 minutos, 66 euros. A diferença é a máquina de electroestimulación entre um e outro. Temos masterclass individuais ou grupales por 45 euros e um tratamento com radiofrequência integrada, que é uma máquina de radiofrequência. A tudo isto lhe podes acrescentar addons (extras), que vão desde 20 a 45 euros. Então mais ou menos, o tratamento mais barato pode-te custar 44 e se vais com tudo, 110 euros.

--Achas que estamos a gastar dinheiro em cosméticos quando deveríamos treinar mais os músculos do rosto?

--Totalmente. Se comes mau e fumas, não vais ter resultados. Podes-te comprar cremes de 700 euros mas não te vão servir porque tua alimentação não está adaptada a teu corpo e não te estás a cuidar. Se tivesse que escolher entre ter muitos cremes ou fazer gimnasia facial, 100% faço gimnasia facial. Tem muitíssimos melhores resultados a nível de pele, arrugas, flacidez que qualquer creme do mercado.

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