A CNMV atira das orelhas aos influencers financeiros
A entidade recorda que compartilhar publicamente uma opinião sobre se uma acção ou criptomoneda subirá ou baixará pode se considerar uma recomendação de investimento
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Atingir a liberdade financeira, unir-se a um selecto grupo de Telegram onde se revelam os arcanos do investimento, ter acesso preferente a um produto revolucionário… Muitos influencers financeiros desenham palcos idílicos e mostram um estilo de vida de luxo (carros caros, mansões) para vender cursos de trading com promessas de rentabilidade rápida que rara vez se cumprem.
Ademais, quando milhares de pessoas seguem um mesmo conselho ao mesmo tempo, podem inflar artificialmente o valor de um ativo (como ocorreu com certas criptomonedas), o que costuma implicar perdas para os últimos em chegar. Agora, a Comissão Nacional do Mercado Valorizes (CNMV) tem iniciado uma campanha para comunicar aos influencers financeiros os principais aspectos que devem ter em conta à hora de hora de dar a conhecer um produto financeiro.
Consequências financeiras negativas
Através de uma infografia, o supervisor bursátil recorda que "promover um produto ou serviço financeiro não é como promover sapatos ou relógios". Neste sentido, alerta que "pode ter consequências financeiras negativas importantes para teus seguidores".

Por isso, nesta campanha, elaborada conjuntamente com outras autoridades nacionais de mercados de valores e com a coordenação da Autoridade Européia de Valores e Mercados (ESMA), se insta a estes criadores de conteúdo a tomar precauções tais como evitar a promoção de publicações enganosas ou imprudentes que poderiam derivar em responsabilidades legais em qualquer prejuízo que sofram os seguidores.
"Segues sendo responsável pelo que publicas"
"Ainda que não sejas banqueiro nem profissional das finanças, segues sendo responsável pelo que publicas", afirmam. A CNMV tem recordado que qualquer acção promocional paga deve se comunicar "alto e claro" e "não num texto minúsculo". "Não utilizes sozinho hashtags. Usa palavras como: 'Publicidade', 'Colaboração paga' ou 'Conteúdo patrocinado', ou utiliza o banner 'Publicidade' integrado da plataforma", tem aconselhado.
Neste ponto, a entidade tem exposto que, se se investe no que se está a publicar ou se pode obter um benefício mediante o investimento de outras pessoas, também deve se dizer. "Assegura-te de que o que dizes é verdadeiro, justo, claro e não enganoso. Aclara a diferença entre factos e opiniões", tem remarcado em relação à promoção de ativos que podem implicar um risco muito alto, como criptomonedas ou CFD.

Riscos e benefícios
Ademais, a CNMV também chama a comunicar de maneira ponderada tanto os riscos como os benefícios: "Não aumentes a pressão nem cries urgência dizendo coisas como 'ganha dinheiro rápido' [...] Se soa demasiado bom para ser verdade, provavelmente não o seja. Portanto, verifica sempre se a empresa ou plataforma está autorizada dantes de publicar sobre ela. Se não, poderias ser cúmplice de uma fraude".
De facto, inclusive compartilhar publicamente uma opinião sobre se uma acção ou criptomoneda subirá ou baixará, ou promover uma estratégia de investimento, pode considerar-se uma recomendação de investimento, à que se podem aplicar determinadas regras: "Em certos contextos, proporcionar formação ou conteúdo educativo pode considerar-se como conselho ou recomendação", tem incidido.
