Teresa Pueyo, fundadora da Superlativa: “O Ashwagandha é o quarto produto mais procurado na Amazon”
A Consumidor Global entrevista a proprietária desta marca de suplementos alimentares, que analisa os preços do sector e diz que não quer que o bem-estar seja um luxo.
Alguns leitores já terão ouvido falar da ashwagandha. Trata-se de uma planta medicinal para tratar o stress e a ansiedade. E não é só isso. “Na Amazon é a quarta pesquisa do ano, depois do Kindle e da Alexa”, conta Teresa Pueyo, fundadora da marca dde suplementos alimentares Superlativa, à Consumidor Global.
Numa época em que o stress passou a fazer parte da rotina diária, o autocuidado surge como um dos melhores antídotos. E com isso, o mercado de suplementos alimentares não deixa de crescer. Este meio falou com Pueyo e Marta Hernández, farmacêutica e formuladora da Superlativa, para saber de que forma o stress afecta a saúde e até que ponto os consumidores estão a pagar mais pela marca do que pela qualidade.
--Porque é que decidiram chamar à marca Superlative?
--Teresa Pueyo (T.P.): Perguntaram-me o que sentia com o apoio da fitoterapia e eu respondi: “Sou eu mesma, mas nesse dia sente-se muito bem”. Encontramos a nossa versão superlativa. Além disso, vimos que funcionou bem porque é compreendido em inglês, alemão ou francês e tem uma conotação positiva.
--O stress é influenciado por muitos factores. Como é que os suplementos alimentares podem ajudar?
-Marta Hernández (M.H.): Utilizamos adaptogénios em todos os nossos suplementos. São extractos de plantas que regulam o organismo de forma fisiológica. Utilizamo-los para tratar a resposta orgânica ao stress. O stress é uma reação natural a uma ameaça. O problema é que, no século XXI, o nosso organismo está constantemente a defender-se daquilo que considera ser um fator de stress, que é a nossa vida quotidiana. Quando tomamos estes adaptogénios, o corpo funciona melhor.
-Mas o que é que uma pessoa nota quando toma estes suplementos?
--M.H: Superlativa Daily é o nosso bestseller. Quando uma pessoa começa a tomá-lo, sente uma sensação de calma e bem-estar sem sedação. É o corpo a funcionar em equilíbrio. As células têm mais energia, ficamos menos inflamados e o sistema cognitivo melhora.
--De que são feitos os suplementos?
--M.H: A planta medicinal que mais lhe vai soar é a ashwagandha.
--T.P: Em Amazon é a quarta busca do ano, após Kindle e Alexa.
-E o que é que é?
--M.H: Extrato adaptogénico que proporciona uma sensação de calma e ajuda a encontrar o equilíbrio. Também formulamos com muitos outros. Por exemplo, rhodiola, bacopa ou schisandra.
-Os suplementos alimentares tendem a ser um produto consumido mais por mulheres do que por homens. Porquê?
--T.P.: É a mulher que compra saúde em casa. Mesmo que também seja consumido pelos homens, é a mulher que compra mais. As mulheres consomem e compram mais. De facto, na Superlativa vemos muito mais mulheres compradoras. As estatísticas mostram também que as mulheres sofrem mais de stress, doenças auto-imunes, depressão, ansiedade...
--A que se deve?
--M.H.: As mulheres reagem ao stress activando o sistema límbico, que é a área do cérebro que ativa as emoções. Nos homens, o córtex pré-frontal, que é o córtex de ação, é ativado. A nível hormonal, o estrogénio nas mulheres é uma molécula protetora contra a inflamação, a deterioração cognitiva e a regulação do sistema neuroendócrino. Quando o estrogénio começa a diminuir após os 40 anos, o sistema de proteção natural é desarmado e o risco de doenças neurodegenerativas, mentais e auto-imunes aumenta.
--Uma tormenta perfeita…
--M.H.: O nosso organismo não evoluiu da mesma forma que o nosso ritmo de vida. Aos 40 anos, o estrogénio começa a diminuir, mas as mulheres têm filhos nessa idade e estão incrivelmente ocupadas com o trabalho. O nosso sistema neuroendócrino não teve tempo para se adaptar e o risco de doença é desencadeado. Devemos gerir o stress para reduzir o risco. São cinco os pilares fundamentais: nutrição, repouso, desporto, stress e relações sociais.
--Num mercado tão saturado, a que preço estamos a pagar pela marca em vez da qualidade?
-T.P.: Depende de muitas variáveis. Ao nível da formulação, pode escolher entre ingredientes padrão ou proprietários, que já vêm com uma normalização desse extrato e com provas científicas associadas. Depende dos fornecedores e da forma como as coisas são feitas enquanto empresa. Ao nível da produção, também depende se se produz em Espanha ou no estrangeiro, se se utilizam embalagens sustentáveis ou não... Na Superlativa queremos vender a preços razoáveis e utilizamos ingredientes com muita evidência científica. Os consumidores procuram produtos fiáveis, especialmente no domínio da saúde.
-O sector dos suplementos alimentares está em plena expansão.
--T.P.: Há muitos concorrentes e é por isso que os preços tendem a normalizar-se. Não se pode colocar um preço mais elevado porque o consumidor não o permite e o canal da farmácia também exerce muita pressão sobre nós. A mesma equipa da farmácia também o pressiona para fixar um preço que lhes permita vender facilmente o produto. Existe uma disparidade de preços? Nem por isso. Estaremos a pagar demasiado pela marca? Penso que não. As marcas mais vendidas não têm preços absurdos. Tentam fazer um preço acessível e nós temos o mesmo compromisso. Toda a gente tem muito stress e eu não quero que o bem-estar seja um luxo. É verdade que a inovação tem um preço e nós tentamos ajustá-lo, mas eu gostaria que a Superlativa fosse o mais acessível possível.
--M.H.: Talvez a diferença esteja fora do canal da farmácia. Essa diferença de preço significa uma diferença de funcionalidade. Por exemplo, não é a mesma coisa pegar num ramo de margaridas da floresta, esmagá-lo e colocá-lo numa cápsula, do que colocar o ingrediente ativo eficaz contra a ansiedade, chamado apigenina. Para isso, é preciso colher 100 quilos de matricária, e talvez só se consigam dez gramas do ingrediente ativo. Comparado com o que posso encontrar num supermercado, que é a matricária toda junta, há uma grande diferença de preço, mas também de atividade.

