Meta, ao banco por manipular Facebook e Instagram para voltar adictos aos menores
A companhia enfrenta o maior julgamento de sua história num tribunal federal de Califórnia depois da demanda conjunta de 29 estados estadounidenses e estima até 1,4 biliões de dólares em sanções
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Meta enfrenta-se a um julgamento contra uma coalizão de 29 estados estadounidenses que a acusam de ter manipulado deliberadamente Facebook e Instagram para voltar adictos aos meninos.
A matriz de Facebook e Instagram enfrenta num tribunal federal de Oakland (Califórnia) a demanda conjunta de 29 estados, um processo que a Promotoria Geral de Califórnia pôde sacar adiante após que o tribunal recusasse o último recurso da companhia para o frear.
Até 1,4 biliões de dólares em sanções
A própria Meta calcula que sua exposição atingiria os 1,4 biliões de dólares, ainda que os estados não têm revelado quanto reclamarão. A companhia qualifica esta cifra, que quase atinge seu valor de mercado total, de "descabellada" e sem precedentes.

Essa cifra resulta de acumular as sanções legais previstas pelas infracções de protecção ao consumidor e privacidade. Um método que, segundo Meta, conta aos mesmos adolescentes muitas vezes. Espera-se que o julgamento tenha uma duração aproximada de sete semanas. A falha da juíza Yvonne Gonzalez Rogers (a mesma que leva o caso de Elon Musk contra OpenAI) conhecer-se-á provavelmente em outubro.
Adictos às redes
A demanda acusa a Meta de desenhar propositalmente funções para manter aos utentes jovens fazendo scrolling (deslocando pelo ecrã) de uma forma infinita, já seja através de publicações ou notificações. De facto, sustenta que Meta recopilou dados de meninos menores de 13 anos, infringindo a lei federal de privacidade, e assegurou aos pais que seus aplicativos eram seguros enquanto investigações próprias indicavam justamente o contrário.
A defesa de Meta baseia-se em que o "vício às redes sociais" não é um diagnóstico psiquiátrico reconhecido, o que debilita a acusação segundo a tecnológica. No julgamento espera-se que declarem o CEO de Meta, Mark Zuckerberg, e o chefe de Instagram, Adam Mosseri.
Redesenhar as plataformas
Além da ameaça que supõe a cifra de 1,4 biliões de dólares, a Meta resultar-lhe-ia um varapalo, segundo o meio especializado The Next Site, que tenha que aplicar as medidas de redesenho que pedem os estados. Por exemplo, restrições por idade, limites de tempo estritos para menores, fim do scroll infinito e as notificações constantes, entre outras modificações à experiência própria de seus aplicativos.

Este julgamento parte de uma acusação similar à que Meta já enfrentou em Novo México, segundo a CNN, e que derivou numa ordem de 567 milhões de dólares, ainda que a diferença agora é que se enfrenta a 29 estados ao mesmo tempo. Justamente Instagram, propriedade de Meta, lançou o passado abril as novas protecções de conteúdo para contas de adolescentes.
Medidas em Espanha
Em Espanha, a ministra de Juventude e Infância, Sira Rego, confia em que a Lei para a protecção dos menores em meios digitais, que proibirá o acesso de menores de 16 anos a redes sociais que incluam conteúdos daninhos para a infância e adolescência, se aprove "à volta do verão".
"A lei está agora mesmo em trâmite parlamentar e se estão a trabalhar já estas últimas contribuições que se fizeram para cingir melhor a lei. Acho que vamos ter uma lei que eu confio em que se aprove à volta do verão, uma lei que supõe um ponto de inflexão na protecção de direitos de meninos e meninas nos meios digitais", tem sublinhado Rego numa entrevista concedida dantes da crise migratoria em Ceuta.
"Não pode seguir sendo a lei da selva"
Ademais, tem posto de relevo que têm feito "um esforço" desde o Governo por "situar a responsabilidade onde corresponde", em "as grandes plataformas" e não sobre as famílias. "Isto não pode seguir sendo a lei da selva. Por tanto, são as plataformas, são as redes sociais as que têm que garantir que o meio é seguro e por tanto o limite o têm que gerir eles, não as famílias. Isto é, nós o que abogamos é por limitar o grau de acção das grandes plataformas, das tecnológicas e dos caudillos digitais", tem insistido.
Rego, que diz ser "partidária de falar de regulação mais que de proibição", tem explicado que "enquanto tudo isto se ordena", têm que ser "mais exigentes à hora de que os meninos e meninas acedam ao meio digital" para proteger de umas plataformas que se movem, segundo adverte, numa "lei da selva, porque o algoritmo é opaco, porque não há padrões de transparência".
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