As novas formas e sabores do roscón de Reis
O sector pastelero se reinventa para surpreender a uns paladares que, apesar da subida de custos em matérias primas, não renunciam a esta tradição
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O roscón de Reis segue sendo o rei do final do Natal. Ainda que os clássicos de nata, creme ou "secos" mantêm seu trono, a inovação abre-se passo nos obradores de Cantabria.
Desde o recheado de tarta de queijo até a Galette dês Rois francesa, o sector pastelero se reinventa para surpreender a uns paladares que, apesar da subida de custos em matérias primas como a mantequilla, não renunciam a esta tradição.
O sucesso do roscón de tarta de queijo
Na localidade cántabra de Liencres (Santa Cruz de Bezana), o Obrador De Rosa consolidou-se como um referente. Depois de alçar-se com o primeiro posto no ano passado e obter o terceiro no recente concurso regional, Rosa e sua família têm demonstrado que a vanguardia tem prêmio.
Seu aposta mais arriscada é o roscón de tarta de queijo e o de turrón, criações originais de Rosa. Segundo explica Eloy, filho da fundadora, estes sabores "estrela" têm uma janela de tempo exclusiva: oferecem-se até o 31 de dezembro. "O de tarta de queijo é uma invenção de minha mãe que já começa a replicar em outros lugares; para nós isso significa que gosta e que tem sucesso", assinala em declaração à agência EFE. A partir de janeiro, o obrador centra-se nos imprescindíveis: nata, trufa e o roscón tradicional.
Santander aposta pelo clássico e a Galette dês Rois
Em Santander, a Pastelería Sucré vive uma temporada longa que arranca em novembro e se estende até fevereiro. Apesar de ter explorado sabores tendência como o pistacho, seu responsável, David Bonaire, reconhece que o público santanderino é fiel à tradição: o de nata segue sendo o mais demandado.
No entanto, Sucré contribui um toque internacional com a Galette dês Rois. Esta versão francesa, elaborada com hojaldre e que também esconde a clássica figurita, se converteu numa alternativa para quem procuram uma textura diferente ao bollo tradicional.
Mantequilla e chocolate ao alça
Neste ano, o sector enfrenta-se com o incremento do preço da mantequilla, os ovos e o chocolate. Esta situação tem obrigado aos artesãos a tomar decisões estratégicas. Por sua vez, o Obrador De Rosa tem reajustado sua oferta, passando de três tamanhos a sozinho dois para optimizar a produção.
Apesar do encarecimiento do chocolate e a mantequilla, David Bonaire (Sucré) destaca que mantêm seus preços desde faz uma década para não repercutir o custo no cliente. Outros artesãos como Copo de Neve realizam cálculos "ao milímetro" para ajustar a margem sem tocar a qualidade do produto final.
Hojaldre, praliné e respeito aos tempos
No Copo de Neve, em Reinosa, a filosofia é clara: "Cada produto em seu momento". As irmãs Esther e Beatriz González, terceira geração do negócio, resistem-se à desestacionalización. Ainda que recebem pedidos desde novembro, seus roscones só estão disponíveis do 2 ao 6 de janeiro.
Seu especialidad é única na zona: um roscón de hojaldre banhado com uma capa interior de praliné, que pode se completar com nata ou creme. São dias de trabalho frenético onde o obrador funciona ao máximo de sua capacidade para abastecer a demanda da data mais importante do ano para esta histórica casa reinosana.

