Silvia Baranda, pulpeira de quarta geração: "O segredo de um bom plato de pulpo também é o aderezo"

Esta galega experiente na selecção, o corte e a elaboração do pulpo desvela as chaves de uma receita herdada da Idade Média

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O povo de Ou Carballiño (Ourense) tem voltado a elaborar a tampa maior do mundo com motivo da Festa do Pulpo, uma cita marcada em vermelho no calendário feriado de Galiza que se celebra neste domingo, 9 de agosto.

As mãos experientes das pulpeiras cuecen 610 kilogramos de cefalópodo sobre um plato de madeira de seis metros de diâmetro, levantando os aplausos dos assistentes. Para entender esta tradição pulpeira em Ou Carballiño, há que remontar à Idade Média, quando o monasterio de Oseira recebia pulpo para os monges, um plato que se estendeu ao longo dos séculos pelas feiras e mercados de Galiza.

As pulpeiras de Arcos

Desde então, as culpadas de que se mantenha viva esta tradição são as pulpeiras de Arcos.

La tapa de pulpo más grande del mundo / EFE AGRO
A tampa de pulpo maior do mundo / EFE AGRO

Este oficio, que em suas origens era maioritariamente feminino, mostra, ano após ano, sua destreza com as tijeras à hora de cortar quilos e mais quilos de pulpo, até realizar a tampa gigante, que se riega com azeite de oliva, sal e pimentón.

Silvia Baranda, quarta geração de pulpeiras

A seus 54 anos, Silvia Baranda, quarta geração de pulpeiras, explica que já leva 16 anos assistindo à posta em cena desta tampa. "Comecei em 2010, e então éramos seis ou sete amigos ao redor de um plato de pouco mais de um metro de diâmetro. Neste ano, é o mesmo plato que no ano passado, de 6 metros de diâmetro, com 610 quilos de pulpo e ao redor de 30 pulpeiros", assinala em declarações a Efe.

Esta pulpeira costuma viajar com outros especialistas por toda Espanha e inclusive a outros países como Suíça. "Imagino que será porque o fazemos bem", apostilla. Ainda que reconhece que seus predecessores já eram uns experientes no corte do animal, uma tradição que se for o caso passou de geração em geração, desde sua bisabuelo, até chegar a ela, que já é conhecida em muitos rincões do mundo.

Os segredos de um bom plato de pulpo

Perguntada pelo segredo à hora de elaborar um bom plato de pulpo, Baranda confessa que é algo que fica entre pulpeiros, mas sim oferece algumas pistas. "O primeiro é conseguir uma boa matéria prima e, por suposto, tratar bem o produto. Finalmente, não há que se esquecer de lhe pôr um bom aderezo, a base de sal, azeite e pimentón.

Finalmente, Baranda alerta sobre a falta de jovens que se animem a recolher a testemunha para que se mantenha o relevo generacional e o oficio, "duro, mas bonito", não se perca.

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