Um relatório alerta do risco de aquecer platos preparados no microondas: "Estão a envenenar-nos"

O estudo desvela que se filtram aos alimentos substâncias químicas tóxicas vinculadas ao desenvolvimento do cancro, a infertilidad, a alteração hormonal ou as doenças metabólicas

Platos precocinados   EUROPA PRESS   EDUARDO PARRA
Platos precocinados EUROPA PRESS EDUARDO PARRA

O ritmo de vida atual, com o consequente o abandono dos fogones, está a disparar a demanda de platos prontos para comer. O consumo deste tipo de platos tem crescido um 3,8% no último ano, segundo o balanço de 2025 de ASEFAPRE (Associação Espanhola de Fabricantes de Platos Preparados). E, conquanto aquecer no microondas ou no forno platos preparados e comida precocinada para levar embalada em plástico parece um acto inócuo, pode libertar nos alimentos centos de milhares de partículas perigosas.

Assim o explica Greenpeace no relatório Alerta: Microplásticos na comida precocinada, onde tem revisado 24 estudos científicos recentes e conclui que os alimentos de embalados e comercializados como "aptos para aquecer" estão a expor potencialmente a milhões de pessoas a contaminantes invisíveis.

"Nunca deveriam a estar em nossa comida"

Estas substâncias químicas tóxicas estão vinculadas ao desenvolvimento do cancro, a infertilidad, a alteração hormonal e as doenças metabólicas. "As pessoas consumidoras acham que estão a tomar uma decisão inofensiva quando compram e aquecem uma comida embalada em plástico. Em realidade, estamos a ser expostos a um cocktail de microplásticos e substâncias químicas perigosas que nunca deveriam estar em nossa comida nem para perto de ela", tem declarado Julio Barea, responsável por resíduos de Greenpeace.

Alimento listo para comer / FREEPIK
Alimento pronto para comer / FREEPIK

"Os governos têm permitido que as indústrias petroquímica e do plástico convertam nossas cozinhas em laboratórios de ensaio. Este relatório demonstra que as afirmações corporativas de 'apto para microondas' não são mais que fantasías", tem acrescentado.

O perigo é muito maior no microondas

Ademais, o estudo mostra que o número de partículas perigosas filtradas aos alimentos é sete vezes superior no microondas que no forno.

A maioria das substâncias perigosas não estão reguladas nas embalagens alimentares. Entre elas figuram os bisfenoles, os ftalatos, as "substâncias químicas eternas" PFAS (substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas) e inclusive metais tóxicos como o antimonio. Muitas destas substâncias já estão presentes nos corpos dos consumidores.

Cuidado com os recipientes velhos

Assim mesmo, o relatório recalca que os recipientes velhos, rayados ou reutilizados são piores, já que o plástico desgastado liberta quase o duplo de partículas de microplásticos em comparação com as embalagens novas.

Alimentos en táperes / FREEPIK
Alimentos em táperes / FREEPIK

Por outra parte, denuncia que a orientação regulamentar atual sobre os microplásticos libertados por embalagens é insuficiente em todo mundo. Por isso, Greenpeace argumenta que etiquetas como "apto para microondas" ou "apto para forno" proporcionam uma falsa tranquilidade aos consumidores.

Similitud com o fumo, o amianto e o chumbo

O relatório adverte de que a crise dos plásticos está a seguir o mesmo padrão observado com o fumo, o amianto e o chumbo. Apesar das abrumadoras sinais de advertência científica, o problema topou-se com a negação da indústria e o atraso regulamentar.

"Estão a envenenar-nos enquanto tentamos alimentar a nossas famílias. O risco é evidente, há muito em jogo e o momento de actuar é agora. Não podemos confiar nas promessas enganosas das empresas e lobbies do plástico", tem denunciado Barea. "Os governos devem actuar já, mediante um Tratado Global sobre os Plásticos ambicioso que proteja a saúde humana", conclui.