Um anúncio afirma que "beber prolonga a vida" e estoira a polémica
Apelo à retirada da campanha, uma vez que esta contradiz o consenso científico e promove uma falsa sensação de segurança relativamente ao consumo de álcool.
A organização de consumidores Facua solicitou à Prefeitura de Sevilha a retirada imediata de uma nova campanha publicitária instalada em suportes municipais que, segundo denúncia, fomenta o consumo de álcool difundindo mensagens "enganosas e perigosos para a saúde pública".
A campanha –realizada em colaboração com a Federação Espanhola de Bebidas Espirituosas (FEBE) e a Universidade de Sevilha– mostra idosos junto ao slogan "bbeber com moderação prolonga a vida", acompanhado de mensagens como "desfruta de um consumo responsável".
"Não existe o consumo responsável do álcool"
Numa declaração, Facua recorda que o consenso científico é claro: "O consumo responsável de álcool não existe. A única medida realmente segura é não o consumir".

A organização cita as advertências do Ministério da Saúde, que em 2023 publicou que “não existe um nível seguro de consumo de álcool; os riscos só podem ser evitados se não se beber”. De igual modo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mantém uma posição idêntica: "Nenhuma forma de consumo de álcool é isenta de riscos. Mesmo um baixo nível de consumo de álcool é prejudicial.
Uma campanha que poderia transmitir benefícios inexistentes
Para a associação de consumidores, a campanha municipal é particularmente grave porque insinua que o consumo ligeiro de álcool pode ser benéfico, gerando “uma falsa crença” e “confusão entre a população”.
Facua critica a utilização da imagem de pessoas idosas, um grupo a que a sociedade atribui “sabedoria e autoridade”, o que pode aumentar a credibilidade da mensagem.
O sector do álcool volta a ser alvo de críticas
Facua recorda ainda que a indústria das bebidas alcoólicas tenta há anos difundir o mito do “consumo responsável” como uma opção segura, apoiando-se em “alegados estudos” já desmontados por organismos científicos, como o Instituto de Saúde Carlos III ou a investigação publicada no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.
Para além de se dirigir à Câmara Municipal, Facua exigiu que a Universidade de Sevilha se dissociasse da campanha e a rectificasse, uma vez que - segundo Facua - a mensagem contradiz as recomendações e os comunicados anteriores da própria instituição académica.
Cresce a polémica
A controvérsia gerou um intenso debate nas redes sociais e entre grupos de saúde, que consideram a campanha um retrocesso em termos de saúde pública.
Na pendência de uma resposta oficial, a Facua insiste em que a publicidade seja retirada o mais rapidamente possível para evitar a difusão de uma mensagem que, sublinha, pode pôr em risco a saúde do público.

